A santidade relacional

Raízes
Por João Wesley e a Dra M. B. Wynkoop, teóloga, professora nazarena e autora do livro “A teologia do amor”.

PRINCIPAL PONTO DE VISTA
Na vida sempre lidamos com relações. Nos relacionamos com objetos animados como também inanimados. O objetivo final da salvação é a restauração das pessoas a uma correta relação com Deus. Ainda que a salvação seja uma obra completa, é parcial em seus resultados. O novo convertido descobre que o fracasso é comum. O processo/crise da santificação guia o crente para uma vida completamente dedicada a Deus. O Espírito revela ao novo crente as áreas que não estão relacionadas corretamente com Deus. A medida que essas áreas são reveladas, a crise e o processo de santificação oferecem uma cura. Santificação “não é a infusão de virtudes cristãs, mas um processo na formação do caráter quem torna possível a restauração e a participação com a vida divina e o poder de Deus”. ‘Graça responsável’ de Randy Maddox.

Pecado
O pecado é amor pervertido como resultado da rebelião na relação com Deus. Adão e Eva se relacionaram com Deus no Jardim. A rebelião rompeu essa relação e seu comportamento em santidade. O pensamento grego interpreta “a natureza pecaminosa” como algo geneticamente transmitido do Adão original. O pecado natural (natureza adâmica) necessita ser removido. Os que propõem a santidade clássica promovem a erradicação como a solução para o pecado adâmico. Os relacionistas declaram que isto é uma contradição com a interpretação judaico-cristã do Antigo Testamento (pg. 49 “Teologia do amor”).
Os hebreus do antigo testamento sempre definiram o pecado como uma relação pervertida com Deus que produz afastamento dele. O remédio é uma restauração da descendência de Adão a uma relação totalmente restaurada com Deus. Agostinho define os resultados da queda adâmica como “amor pervertido”. João Wesley construiu a sua teologia sobre este conceito e ensinou o que o segundo Adão, Jesus, oferece através do poder do Espírito Santo a possibilidade de que o amor pervertido possa ser restaurado a um “amor feito perfeito”. Isto se consegue através de uma relação restaurada no lugar da eliminação de uma perspectiva genética.

O que acontece na santificação?
Os que falam da “santidade relacional” creem que em uma relação completamente restaurada e vital com Deus, o cristão experimenta uma dependência completa no fortalecimento do Espírito Santo. Um amor que consome e domina o coração e todas as atividades.

Qual é o motivo de todas as relações? Amor!
Na base de todas as relações está o amor ou a ausência dele. Se o amor domina uma relação, todo o comportamento está determinado pelas características do amor (I Coríntios 13). Se o amor desapareceu, todo o comportamento corresponde à sua ausência. O amor é o juiz. A própria essência mesma da santidade é o amor a Deus e ao próximo. O chamado de Deus a ser perfeitos é um imperativo bíblico, mas humanamente impossível. Quando se torna um motivo puro e amor perfeito do coração para com Deus, este mandamento se torna compreensível. “O amor aperfeiçoado no coração” purifica as metas e aspirações da vida. Quando o “amor feito perfeito” está presente em toda a sua plenitude, produzirá respostas e comportamentos cheios de graça. O cristão também experimentará o poder “do amor que expulsa o pecado”.
O novo crente hesita em atender ao chamado de viver em um amor não dividido a Deus. Ele é guiado para a decisão de fazer uma entrega completa ao amor total de Deus. Recusar essa escolha é seguir a atitude de Adão e viver em rebelião. Escolher corretamente significa viver em completa relação e obediência a Deus. Isto não é só uma decisão para o início, mas um processo contínuo e dinâmico. É tão fluída como a vida mesmo brotando em um estilo de vida de obediência em todas as decisões da vida. O entrar nesta relação totalmente dedicada a Deus não nos coloca em um estado estático ou fixo de perfeição, mas nos coloca em uma relação dinâmica com Deus. Esta relação se renova continuamente assim como o poder limpador do sangue na corrente sanguínea.

A Santidade Social
Deus tem um amor infinito pela humanidade perdida. Por essa razão o relacionar-se com Deus produzirá amor pelos semelhantes (I João 4.20). Esta característica da santidade descrita como “a vida saudável de Deus” vai transbordar na vida daqueles que nos rodeiam. É holística, afetando todas as áreas da vida. A pessoa cuida do seu próprio corpo como o templo de Deus e também se preocupa como os demais. A participação social e amorosa que cruza as linhas étnicas é natural quando amor é aperfeiçoado.

Wesley disse: “não existe santidade que não seja uma santidade social”.

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